terça-feira, 15 de janeiro de 2013

OS BONS ESPÍRITAS

O Espiritismo bem compreendido, mas, principalmente, bem sentido, forçosamente conduz aos resultados acima mencionados, que caracterizam o verdadeiro espírita,assim como o verdadeiro cristão, porquanto um e outro agem da mesma forma.

O Espiritismo não cria nenhuma nova moral, ele facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, dando uma fé sólida e esclarecida àqueles que duvidam ou vacilam.

Muitos dos que acreditam nos fatos das manifestações, no entanto, não compreendem as suas conseqüências nem o seu alcance moral, ou, se os compreendem, não os aplicam a si mesmos. Por que isso acontece? Por uma falta de clareza da Doutrina? Não, visto que ela não contém alegorias, nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações; a clareza é a sua própria essência, é o que lhe dá poder, porque ela vai direto à inteligência. Nada tem de misterioso, e seus iniciados não são possuidores de nenhum segredo escondido ao povo.

Seria, então, necessária uma inteligência fora do comum para compreendê-la? Não, pois vêem-se homens de uma capacidade notória que não a compreendem, enquanto que inteligências vulgares, de jovens mesmo, apenas saídos da adolescência, aprendem com uma admirável justeza os seus detalhes mais delicados. Isso ocorre porque a parte, de alguma forma, material, da ciência só requer olhos para observar, enquanto que a parte essencial necessita de um certo grau de sensibilidade, que se pode chamar de maturidade do senso moral, maturidade independente da idade e do grau de instrução, porque é inerente ao desenvolvimento, em um sentido especial, do espírito encarnado.

Em algumas pessoas, os laços da matéria são ainda muito fortes, para permitir ao espírito desligar-se das coisas da Terra; a obscuridade que as cerca tira-lhes a visão do infinito; eis por que não conseguem romper facilmente nem com seus gostos, nem com seus hábitos, pois não entendem que possa haver algo melhor do que aquilo que possuem. A crença nos espíritos é para elas um simples fato, que nada ou pouco modifica suas tendências instintivas; em uma palavra, elas só vêem um raio de luz, insuficiente para conduzi-las e dar-lhes uma aspiração profunda, capaz de vencer suas inclinações. Ligam-se mais aos fenômenos do que à moral, que lhes parece banal e monótona. Pedem aos espíritos para iniciá-las incessantemente em novos mistérios, sem se perguntarem se já são dignas de penetrar os segredos do Criador. Tais pessoas são os espíritos imperfeitos, alguns dos quais ficam pelo meio do caminho ou se afastam dos seus irmãos de crença, porque recuam diante da obrigação de se reformarem, ou então reservam suas simpatias para aqueles que partilham suas fraquezas ou suas prevenções. Entretanto, a aceitação do princípio da Doutrina é um primeiro passo, que lhes tornar á mais fácil o segundo, em uma outra existência.

Aquele que pode, com razão, ser qualificado de verdadeiro e sincero espírita, encontra-se em um grau superior de adiantamento moral. O espírito já domina mais completamente a matéria e lhe dá uma percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina nele fazem vibrar as fibras, que nos primeiros permanecem insensíveis; em uma palavra: foi tocado no coração, e por isso sua fé é inabalável. Um é como o músico, que se comove com os acordes, enquanto que o outro só ouve os sons. 
Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar as suas más inclinações. Enquanto um se satisfaz no seu horizonte limitado, o outro, que compreende alguma coisa de melhor, se esforça para libertar-se dele, e sempre o consegue quando tem a vontade firme. (destaques meus)

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XVII - item 4

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