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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Auto-retrato



  
Sempre que a nossa palavra: 
censura, 
justifica, 
levanta, 
rebaixa, 
deprecia, 
louva, 
depreda, 
restaura, 
complica, 
auxilia, 
apóia, 
fere, 
abençoa ou condena seja a quem for, estamos fazendo o nosso próprio retrato. 
E isso acontece porque sendo as atitudes, os pensamentos, as idéia, as intenções dos outros, realidades dos outros – cujas origens autênticas não conseguimos penetrar – toda vez que nos referimos aos outros estamos sempre efetuando a projeção parcial ou total de nós mesmos.

Pelo Espírito Albino Teixeira
Do livro: Astronautas do Além
Médium: Francisco Cândido Xavier e J.Herculano Pires
Espíritos diversos

Criança Órfã


Criança Órfã

Victor Hugo & Divaldo P. Franco


[ ] Ave implume, caída do ninho acolhedor, a criança órfã sofre rudes provas em silêncios homéricos, devendo inspirar ternura que nem todos lhe dispensam como seria de desejar-se numa sociedade civilizada, que se afirma cristã.

O órfão enxameia nas ruas do abandono, no mundo, mergulhando nos vícios que frondejam nos guetos da miséria moral, social e econômica, em marcha segura para a delinqüência e o vício massacrador.

Adultos inescrupulosos exploram-no indefeso, locupletam-se na sua pequenez e descarregam nele seus infelizes recalques, por meio de agressões selvagens.

Quando lhe ofertam agasalho ou pão, fazem-no sob condições odientas, humilhando-o e espicaçando os sentimentos inferiores trazidos das existências desditosas que necessitaria esquecer, fazendo-o bandido em potencial, c, como tal, explode, logo se lhes fazem insuportáveis as circunstâncias deprimentes.

O padrão de cultura e progresso moral de uma sociedade justa é medido pelo apoio e pelo carinho dedicados às suas crianças carentes, aos seus enfermos em desventura e aos velhinhos em desvalimento, que já não constituem o lixo social, mas sim os elementos de edificação espiritual, na qual se apóia a paz que comanda os destinos sob o alento do dever cumprido.

Longe, no entanto, estão ainda os dias da consciência social-cristã mediante a ação corretamente aplicada pelo Humanitarismo. [ ]


(De “Árdua ascensão”)

Respeito Mútuo


Compadece-te dos que não pensam com as tuas idéias e não lhes encareces a vida em tua própria vida, afastando-os da senda a que foram convocados.

Chamem-se pais ou filhos, cônjuges ou irmãos, amigos ou parentes, companheiros e adversários, diante de ti, cada um daqueles que te compartilham a existência é uma criatura de Deus, evoluindo em degrau diferente daquele em que te vês.

Ensina-lhes o amor ao trabalho, a fidelidade ao dever, o devotamento à compreensão e o cultivo da misericórdia, que isso é dever nosso, de uns para com os outros, entretanto, não lhes cerres a porta de saída para os empreendimentos de que se afirmam necessitados.

Habituamo-nos na Terra a interpretar por ingratos aqueles entes queridos que aspiram a adquirir uma felicidade diferente da nossa, entretanto, na maioria das vezes, aquilo que nos parece ingratidão é mudança do rumo em que lhes cabe marchar para a frente.

Quererias talvez titulá-los com os melhores certificados de competência, nesse ou naquele setor de cultura, no entanto, nem todos vieram ao berço com a estrutura psicológica indispensável aos estudos superiores e devem escolher atividades quase obscuras, não obstante respeitáveis, a fim de levarem adiante a própria elevação ao progresso.

Para outros, estimarias indicar o casamento que se te figura ideal, no campo das afinidades que te falam de perto, no entanto, lembra-te de que as responsabilidades da vida a dois pertencem a eles e não a nós, e saibamos respeitar-lhes as decisões.

Para alguns terás sonhado facilidades econômicas e domínio social, contudo, terão eles rogado à Divina Sabedoria estágios de sofrimento e penúria, nos quais desejem exercitar paciência e humildade.

Para muitos terás idealizado a casa farta de luxuosa apresentação e não consegues vê-los felizes senão em telheiros e habitações modestas, em cujos recintos anseiam obter as aquisições de simplicidade de que se reconhecem carecedores.

Decerto, transmitirás aos corações que amas tudo aquilo que possuis de melhor, no entanto, acata-lhes as escolhas se te propões a vê-los felizes.

Respeita os pensamentos e afinidades de cada um e aprende a esperar.

Todos estamos catalogados nas faixas de evolução em que já estejamos integrados.

Se entes queridos te deixam presença e companhia, não lhes conturbes a vida nem te entregues a reclamações.

Cada um de nós é atraído para as forças com as quais entramos em sintonia.

E se te parece haver sofrido esse ou aquele desgaste afetivo, não te perturbes e continua trabalhando na seara do bem.

Pelo idioma do serviço que produzas, chamarás a ti, sem palavras, novos companheiros que te possam auxiliar e compreender.

Não prendas criatura alguma aos teus pontos de vista e nem sonegues a ninguém o direito da liberdade de eleger os seus próprios caminhos.

Se as tuas afinidades pessoais ainda não chegaram para complementar- te a tranqüilidade e a segurança é que estão positivamente a caminho.

E assim acontecerá sempre, porque fomos chamados a amar-nos reciprocamente e não para sermos escravos uns dos outros, porque, em princípio, compomos uma família só e todos nós somos de Deus.

(Francisco Cândido Xavier / Emmanuel)